terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Além do Horizonte - Luiz Menezes


E todos disseram que além do horizonte há um mundo tranqüilo que todos esperam um dia encontrar.
E todos falaram, cantaram, gritaram, que além do horizonte existem as coisas mais lindas do mundo. De um mundo tão lindo formado de luz.
Disseram somente, pois ver ninguém viu.
Não viu a criança que ontem nasceu e os olhos abriu sem nada enxergar; não viram o moço e a moça bonita que sonham casar e a vida viver; não viu o velinho de vida no fim que vive rezando na eterna esperança de muito viver.
E todos disseram que além do horizonte, arco-íris, miragem, só existe o amor. palavra tem força! e todos tem fé!
Disseram somente pois ver ninguém viu.
E eu que andei e andei e andei e um dia cheguei em cima do monte, vi outro horizonte e outro, mais outro, seqüência de rumos levando pra um mesmo caminho sem luz.
E louco gritei: gritei por piedade! Gritei de saudade, gritei de tristeza, de falta de amor!
Um dia voltei. Voltei sem contar. Pra o moço, pra moça, pra o velho, pra todos. Que tudo é mentira: O além do horizonte é apenas o dia que volta amanhã...
Por isso eu suplico, ó Deus meu senhor. Que deixe nos sonhos do moço, da moça, do velho e de todos o mundo bonito que além eu não vi; e que cantem cantigas de mil esperanças, cantigas bonitas que eu fiz...
E perdi.

9 comentários:

Claudio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Claudio disse...

Olá,
Tava campeando esta poesia do poeta maior do Quaraí e naõ encontrava em parte alguma. Até que o Google me levou a seu blog.Obrigado por postar tão linda poesia e compartilhar com outros.

Cleo disse...

Oi,
Luiz Menezes é a própria poesia!
Obrigada por nos brindar com toda essa beleza.
Gostaria de ver aqui postada, Noite de Ronda, outra bela poesia deste mesmo autor, que não se encontra em lugar nenhum.
Um abraço

Helenice disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helenice disse...

A exemplo do Claudio, eu também buscava a letra de Alím do Horizonte, poesia do conterrâneo imortal Luiz Menezes.
Elogio tua atitude e sensibilidade em deixá-la aqui para devaneio de todos os amantes do belo.
Um abraço. Helenice

Anônimo disse...

Morro em Toledo no Paraná desde 1975, mas nasci no amado Rio Grande do Sul. Gosto e acompanho a extraordinaria musica do Rio Grande. Há pouco tempo tive a grata satisfação de ouvir a declamação desta linda ALEM DO HORIZONTE (de Luiz Meneses - por sinal o nome da Escola que estudei em Ajuricaba), num encontro de tecnicos agricolas formados (ha muitos anos) em Cachoerinha-RS. Estava procurando a muito tempo esta letra. Muito Obrigado.

josé carlos salvagni disse...

Esse poema, caríssima, é uma das maiores belezas da poesia moderna do Rio Grande do Sul. Luiz Menezes fez maravilhas com texto simples, sem forçar a barra com palavrório desnecessário ou pseudo-tradicionalista. O que interessa a ele é o que ele tem de fato a dizer. E tem muito! Tropa Amarga, por exemplo, é o relato duro do grande êxodo rural, das dores da perda de rumo pelo qual o Rio Grande do Sul (como outros Estados) passou, até urbanizar-se tão intensamente, e em enormes núcleos urbanos. Continue com o cancioneiro de Luiz Menezes, Cassiele! Há enormes tesouros nele! Parabéns por sua iniciativa! josé carlos (jcsalvagni@gmail.com)

Felipe Vinhas disse...

Passos Vacilantes

Lembraste amor o quanto era bonito
Aquele tempo de ternura imensa
A desfolhar nos dois na mesma crença
A sufocar nós dois no mesmo grito
Olhar perdido dentro do infinito
Sem compreender que ouve-se desavença
Naquele tempo de ternura imensa, Lembraste amor o quanto era bonito
Sei que não lembras, porém não importa, grita em minha alma uma esperança morta
Em holocausto aqueles tempos idos
E hoje que andamos passos vacilantes
Vamos deixando mais e mais distantes
Tempos felizes por nós dois vividos

Ademar Adams disse...

Eu estava procurando "Passos Vacilantes" e graças ao Felipe Vinhas,encontrei este belo soneto do grande Luiz Menezes.
Mas "além do Horizonte" é outra maravilha.
Grato a todos.

Ademar Adams
Cuiabá-MT